quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Escapada

palavras
suspiros
pequenas doses
de dores
odores
sabores
ter e já não ter
nascer e
não ser
cada gota dos olhos
lágrimas das torneiras
bobagens, besteiras
amanhã tem mais!
Gestos
afetos
alentos
lentos
translúcidos
lúcidos?
Desencantos aos prantos
desacatos nos pratos
fio de cabelo no chão
do banheiro
o sangue na artéria
a arte que ria
até da razão
o resto é ótica da desilusão.
O queijo na boca
o beijo na faca

O que não existe
é o que nos escapa. 
A fumaça desse incenso que queimo
Me leva até o céu.
Ela sobe com tanta certeza
Com tanta precisão

Que quase me faz crer. 
se ser feliz é isto aqui
não tenho dúvida.
mas e se não for como vou saber?
pois não, eu invento já:
sim, isso aqui é ser feliz!
tenho toda a liberdade

de inventar minha verdade.        
Tudo muito simples: comece por aplicar todos os conselhos, interpretações dos fatos, juízos, argumentos, ideias, soluções que você sempre dá aos outros a você mesmo.

Viu como é fácil?
não, não quer sempre dizer
não quero.
Pode ser
não posso
não devo
não consigo
não pensei nisso
não estou preparado
não sonhava
não entendo
não sei
não hoje
não agora.
Mesmo assim
é tudo não.
Puro adiamento de prazer momentâneo
com vistas a um prazer futuro
que talvez nunca chegue.
Talvez...
Pura negação da vontade
de ser feliz agora
com um irresponsável sim
Deliciosamente
e ponto.
Com um sim

e pronto. 
Tanta coisa que me enche os rios d’água
dos olhos da minh'alma
Ressaca do mar que faz as águas voltarem pros rios 
de onde vieram
Que inverte a natureza
faz o não–ser , só-ser.
Meu peito traz seu nome atravessado como lança
Melhor seria se fosse um bordado de areia
Que não trouxesse sua lembrança e
tanta coisa que me enche os rios d'água
dos olhos da minh'alma
Ressaca do mar que faz as águas voltarem pros rios de onde vieram
Que inverte a natureza
faz o não–ser, só-ser.
Meu peito traz seu nome atravessado como lança
Melhor seria se fosse um bordado de areia
Que não trouxesse sua lembrança e
tanta coisa que me enche os rios d'água

dos olhos da minha...

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Enlaces

Afeito a afetos
você é
como eu,
afeita.
E feita
de açúcar
confeita.

De afeto te afeto:
decerto.
De afetos me afetas:
acertas.

Com laços de afeto 
te aperto
Teu braço em abraços
me estreita
Afeto, afeição ou
será que é amor
este que nos espreita?






Sol poente
depoente 
da minha condição:
sou ré
no tribunal 
da ilusão. 

Para Flora com amor

Escrevo teu nome no ar e só depois eu respiro