A mão escorrega cuidadosamente amorosa pelos cabelos recém crescidos novamente
Bonita essa cor de prata macia
A barba por fazer e o cheiro forte denunciam os últimos dias difíceis em que comer virou um suplício
As gotas de glicose e de soro conversam entre si
E um barulho no aparelho de fazer não sei o quê me lembra uma máquina registradora
perguntando se algum tempo a mais ainda resta ou não
Se há algum caixa 2 escondido prestes a se revelar
ou se o tempo era mesmo esse.
O relógio marca 11h55, mas são 19h12.
Parece que aqui as horas não passam
ou já passaram
As horas pouco importam
O tempo é medido em outras grandezas
O tempo é fluido aqui
As memórias do passado e do futuro se misturam
Me vejo acariciando esse mesmo rosto em outros cenários
E lembro de palavras doces
Que são as que me interessam.