quarta-feira, 26 de junho de 2019

como são lindas as flores
que eu escolhi
pro meu jardim
o manacá da serra me diz que bom existir multicolor
a jabuticabeira nasce nosso sonho
a extremosa extrema delicadezas
a grama tece nossas crenças
janelas e portas abertas
pro medo não morar nelas
tapetes coloridos, comida natural
água de chuva pra escorrer a dor
sol pra peneirar no quintal
que eu escolhi.
E flor... e flor...
ocupo e desocupo o espaço
cada passo que dou desocupa o espaço do passo que dei
eu existo e sigo
mas também não
eu desisto e inexisto
e passo a passo,
passo...
Teolho evejo umpassado quenunca deveriater existidoe umfuturo quenunca vaiacontecer, issoporque temosmuito passadoe muitofuturo aindapor vivere essenós nuncaexistiu deverdade, essenós foipura invençãonão hánós, só dois eus.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Hoje sou alguém mais manso
Menos tenso
Meço o passo
Não avanço
Não me canso
Não venço
Não adenso
Só balanço
Improviso
E roço
a vida com ternura
E torço por dias de sol
Mas aceito a chuva
E lanço palavras ao mundo
E danço quando encontro um par
Se não, descanso,
repouso, remanso
E assim, eu penso,
a vida passa
sem pressa
E esqueço
que passa
E esqueço.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

O copo da atriz quebra
no meio da cena
seu dedo corta.
O sangue pontilha de dor
o palco inteiro.
Ela segue a cena como se tudo
fizesse parte
E não faz, afinal?
Por dentro lateja e grita
Usa a dor pra alimentar a cena
Usa a arte pra nutrir a vida.
A atriz atravessa a ponte entre seu eu
e seu papel
Ela é a mais pura verdade.

A atriz transcende. 

domingo, 9 de junho de 2019

Tanto livro nessa estante
e eu aqui mendigando por palavras
nesse livro de caras
ponto com
repleto de pratos de comidas - gourmet
dias solares cheios de muitos dentes -brancos
eventos e ventos nos cabelos de shampoos - caros
incrivelmente cheirosos
(que se sente até por foto)
gente inteligente, bonita, cool-t
E eu aqui mendigando por palavras.
Meus poros reagem a teu nome antes da minha consciência. Correm rios. Caem cascatas. Inundam minas. Tudo vira água. Tudo vira origem de tudo. Todo o resto da história fica esquecido. Só tem esse mundo líquido, rico, essa sopa primordial, esse caldo quente jorrando e eu sentindo tudo. Toda essa vida em mim. E tudo muito antes que eu possa interromper, secar, diluir, desviar, afogar... A vida começa em mim mais uma vez. Pantalassa.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Que lindas as agendas antigas que já não servem mais pra nada
Tão úteis na sua inutilidade
Tão claras em sua mensagem:
Time is over.

A tristeza é tinta pra minha caneta.
Se eu fosse mais triste escreveria mais
Ainda bem que
Acabou.
Doeu?
Não, sou forte.
Ah se não fosse essa vírgula
pra respirar minha ilusão
Tem ontens
que amanhã nunca chegam
Tens hojes
que amanhã nunca acabam

poeta de ocasião
poeta mínimo
nem po
só eta

Amor, fique esperto
Nem é tanto espanto
A morte é certa
A vida curta
Não mais indireita
Quem mais escuta
Se muito reluta
É duas vezes luta
Se muito relata
É duas vezes lata
Tanta palavra
Palavra tanta
Qu'inda nos mata.

Posso até não ser Fulana
mas Fulana também não foi
Fulana
antes de sê-lo.
Dormir em paz
Dormir em guerra
Durmamos!
Todo mundo merece
uma trégua.

há dias de sol
mas há dias menos luminosos
em que as esperanças disfarçam
e saem pelos fundos
Se tanto a gente se toca
é pra ter certeza de que um e outro
existem mesmo
Foi ímã - putz grudou
Foi karma - ixi pegou
Duas almas karmas ímãs irmãs
de poetas tecelãs
Dois bruxos loucos xamãs
di-vagando pelo espaço atemporal
Distraídos, descuidados
sujeitos a toda essa gravidade
grávidos de estrelas-anãs.

Telégrafo
palma da minha mão telegrafa ao teu ouvido: 

...  ..  - - (sim) 

 então, anoiteço as pupilas da tua pele e ela se abre para mim — vagarosamente, desatinadamente, e do teu peito eu bebo o Índico inteiro.

 minha língua saliva teu idioma: prolixo, complexo, ofegante, mas não tão desconhecido afinal. 

teus dedos de temporal, nervosos, me inundam. "extra-vazo". derreto.

 tua fome me fareja num canto do labirinto. me rasga. me rendo. (me rendo?)

teu abraço de sol do meio-dia e esse teu beijo de lua-cheia eu ainda não esqueci muito bem. mas pretendo muito em breve.

breve como esse nós, 

entre nós.

Para Flora com amor

Escrevo teu nome no ar e só depois eu respiro