quarta-feira, 4 de dezembro de 2019


desconfio dos mansos.
Às vezes guardam lobos piores que os lobos aparentes
procuro por desaparências
por loucos
por vozes roucas.
Águas paradas também afogam.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Máquina de lavrar

Eu sou completa por lacunas
Contusões existenciais
Sonetos quebrados
Sorrisos bêbados
Luas caídas
Nariz pingado.
Meu terreno é todo esbarrancado
Meus olhos cultivam peixes
Minha carteira esconde feijões.
Tenho fome de zodíacos
Não guardo nada além de um pouco de oxigênio.
Sou ingênua por preguiça
Sorrio por timidez
Apaixono-me três cápsulas ao dia
Não tenho nada que interesse ou sirva a ninguém em perfeito estado.
Crio violetas em aquários 
Mantenho as paredes azuis aguadas
E espelhos embaçados.
Esqueço uma cabeça perdida na bolsa
E um pedaço de coração no bolso da calça que bateu na máquina de lavar.
Lembrar de desmarcar cardio. Bateu. Acho.
Tenho inclinação por cavar buracos.
Tatuei uma linha infinita nos poros.
Sou uma fresta que não tem hora pra acabar mas uma hora...
Será que lágrimas podem afogar alguém de Peixes? 


Sou o produto do nada vezes coisa alguma dividido pelo infinito.



segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

a cura

a arte me salva
a arte me selva
a arte me céu
me sul
me norte
me dentro
a arte me imprime
a arte me explica
a arte me tem
a arte me é
me cura
me loucura
a arte me vaza
a arte me assopra
me sangra
me singra
me expõe
me transpõe
a arte me fere
me sal-va?
a arte me saliva
me solve
me sorve
me absolve?
a arte me absurda.

Para Flora com amor

Escrevo teu nome no ar e só depois eu respiro