Eu te amo no medo de te perder
No medo de você não voltar hoje
Te amo na comida deliciosa que você faz
No nosso sexo com gosto de casa
Eu te amo nas folhinhas dos calendários passados
Nos olhares dos nossos retratos
No meu vestido branco e no teu terno listrado
e principalmente na ausência de ambos
e principalmente na ausência de ambos
No jardim inteiro do qual somos guardiões amorosos e atentos
Eu te amo naquilo que via em você que não sei se via ou supunha
num tempo em que boa parte da gente era fantasia e possibilidade
Eu te amo no teu abraço de urso mais polar que o próprio urso polar
Nesse aconchego
onde eu chego, viro concha e chamo lar
E a gente pode até se mudar daqui pro outro lado do Atlântico
Você ainda continuará sendo casa
E a gente pode até virar asa cada qual no seu ponto cardeal
você terá sempre essência de amor
E a gente pode até não mais ser casa e nem amor
só passado e dor
Mas até essa dor passa
E fica o bilhetinho dessa viagem dividida apertado na palma da mão
E ficam as linhas da mão depois que o bilhete esmigalhar
E fica no ar o aroma de um amor
E fica no amor tudo o que seja mar.
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