Cada vez que passo os olhos por essa tela em branco na correria de tantas correrias tenho vontade de congelar o tempo e parar. aqui. só parar. e jogar letras fora. e dentro. e no ar. e dentro do meu olho. mesmo que a mão grite tendinite a cada 30 segundos/digitação. ainda. a vontade de me pronunciar, de não me eximir, de não me encolher. de não passar backspace ou delete em mim. ainda. a urgência de não passar pela vida em brancas nuvens. nem brancas telas. ainda a vontade de borrar o mundo com alguma palavra em preto. a vontade de bater o coração nas teclas, a vontade de dizer alguma palavra impronunciada. de dizer.
apesar de saber que o que tenho pra escrever tem mais a ver com folha em branco que em preto, esse cursor não desiste e continua a bater cardíaco me insinuando a dizer. até mesmo quando eu ponho ponto.
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