quinta-feira, 2 de novembro de 2023

 Era uma vez uma boca imensa que comeu a si mesma. Fim. 

Eu essa boca imensa. 

Cheia. De tudo de todos de excessos de faltas. 

Eu essa boca enorme. 

Que fala e se arrepende e se arrepende se cala. 

Eu preciso colocar em algum outro lugar essa falta de lugar deslugar

Não dá mais pra sofrer calada alta madrugada adentro

estou tão farta ao mesmo tempo tão gulosa de mim

de me querer viva viva viva pra sempre

de me querer ser e ser e se(r)de novo e de novo

tão falta de me sentir cheia de buracos

vocação pra tatu é essa de cavar infinitos todo dia inteiro

de não achar que nunca chegou onde deveria

que chega no japão achando que é brasil e vice versa e adversa

vocação pra coruja essa vigília noite inteira que quer matar os passarinhos que anunciam o novo dia que nem acabou o velho ainda às 4 e meia 

vocação pra pólo norte e equador em um franzir de sobrancelhas

vocação pra perdida

florestal

desértica

pra amar a vida de um jeito extremo estranho inexperiente

vocação pra não querer o fim nem o começo

pra querer o meio inteiro e infinito e impossível

de tudo de todos

e de qualquer coisa boba que apareça pela frente

boca cheia que vomita a si mesma.


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