Era uma vez uma boca imensa que comeu a si mesma. Fim.
Eu essa boca imensa.
Cheia. De tudo de todos de excessos de faltas.
Eu essa boca enorme.
Que fala e se arrepende e se arrepende se cala.
Eu preciso colocar em algum outro lugar essa falta de lugar deslugar
Não dá mais pra sofrer calada alta madrugada adentro
estou tão farta ao mesmo tempo tão gulosa de mim
de me querer viva viva viva pra sempre
de me querer ser e ser e se(r)de novo e de novo
tão falta de me sentir cheia de buracos
vocação pra tatu é essa de cavar infinitos todo dia inteiro
de não achar que nunca chegou onde deveria
que chega no japão achando que é brasil e vice versa e adversa
vocação pra coruja essa vigília noite inteira que quer matar os passarinhos que anunciam o novo dia que nem acabou o velho ainda às 4 e meia
vocação pra pólo norte e equador em um franzir de sobrancelhas
vocação pra perdida
florestal
desértica
pra amar a vida de um jeito extremo estranho inexperiente
vocação pra não querer o fim nem o começo
pra querer o meio inteiro e infinito e impossível
de tudo de todos
e de qualquer coisa boba que apareça pela frente
boca cheia que vomita a si mesma.
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