O que fazer com toda essa escuridão?
Acender uma vela, óbvio
Mas eu sou a cera
Me amoleço, me derramo, me consumo
Tão gás, tão líquida, derretida derrotada no prato.
O que fazer com esse medo todo?
Correr, é óbvio.
Fugir pra bem longe, me blindar, desaparecer, fingir coragens
Mas eu sou escancarada, corpo lento, corpulenta
Não sei fugir sorrateira, virar as costas, desviar meus poros.
O que fazer com esse bicho aqui inquieto, enlouquecido, ferido aqui, esse bicho sem espécie, sem nome, com fome que habita meu quintal
Matá-lo
Como se mata a um mosquito
Eu sempre fui bem em matar mosquitos, talvez minha melhor habilidade
Marcar minhas mãos com seus sangues de conta gotas
Como se por um único instante eu pudesse controlar algum destino.
Como se eu pudesse e posso. O dos mosquitos.
E depois dormir, dormir, dormir toda essa fúria desse sono perdido.
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