segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

O que fazer com toda essa escuridão?

Acender uma vela, óbvio 

Mas eu sou a cera 

Me amoleço, me derramo, me consumo 

Tão gás, tão líquida, derretida derrotada no prato.

O que fazer com esse medo todo?

Correr, é óbvio.

Fugir pra bem longe, me blindar, desaparecer, fingir coragens 

Mas eu sou escancarada, corpo lento, corpulenta

Não sei fugir sorrateira, virar as costas, desviar meus poros.

O que fazer com esse bicho aqui inquieto, enlouquecido, ferido aqui, esse bicho sem espécie, sem  nome, com fome que habita meu quintal

Matá-lo 

Como se mata a um mosquito

Eu sempre fui bem em matar mosquitos, talvez  minha melhor habilidade

Marcar minhas mãos com seus sangues de conta gotas

Como se por um único instante eu pudesse controlar algum destino. 

Como se eu pudesse e posso. O dos mosquitos.

E depois dormir, dormir,  dormir toda essa fúria desse sono perdido. 





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