quarta-feira, 5 de junho de 2019

Amor, fique esperto
Nem é tanto espanto
A morte é certa
A vida curta
Não mais indireita
Quem mais escuta
Se muito reluta
É duas vezes luta
Se muito relata
É duas vezes lata
Tanta palavra
Palavra tanta
Qu'inda nos mata.

Posso até não ser Fulana
mas Fulana também não foi
Fulana
antes de sê-lo.
Dormir em paz
Dormir em guerra
Durmamos!
Todo mundo merece
uma trégua.

há dias de sol
mas há dias menos luminosos
em que as esperanças disfarçam
e saem pelos fundos
Se tanto a gente se toca
é pra ter certeza de que um e outro
existem mesmo
Foi ímã - putz grudou
Foi karma - ixi pegou
Duas almas karmas ímãs irmãs
de poetas tecelãs
Dois bruxos loucos xamãs
di-vagando pelo espaço atemporal
Distraídos, descuidados
sujeitos a toda essa gravidade
grávidos de estrelas-anãs.

Telégrafo
palma da minha mão telegrafa ao teu ouvido: 

...  ..  - - (sim) 

 então, anoiteço as pupilas da tua pele e ela se abre para mim — vagarosamente, desatinadamente, e do teu peito eu bebo o Índico inteiro.

 minha língua saliva teu idioma: prolixo, complexo, ofegante, mas não tão desconhecido afinal. 

teus dedos de temporal, nervosos, me inundam. "extra-vazo". derreto.

 tua fome me fareja num canto do labirinto. me rasga. me rendo. (me rendo?)

teu abraço de sol do meio-dia e esse teu beijo de lua-cheia eu ainda não esqueci muito bem. mas pretendo muito em breve.

breve como esse nós, 

entre nós.

Para Flora com amor

Escrevo teu nome no ar e só depois eu respiro