Amor, fique esperto
Nem é tanto espanto
A morte é certa
A vida curta
Não mais indireita
Quem mais escuta
Se muito reluta
É duas vezes luta
Se muito relata
É duas vezes lata
Tanta palavra
Palavra tanta
Qu'inda nos mata.
quarta-feira, 5 de junho de 2019
Telégrafo
a palma da minha mão telegrafa ao teu ouvido:
... .. - - (sim)
então, anoiteço as pupilas da tua pele e ela se abre para mim — vagarosamente, desatinadamente, e do teu peito eu bebo o Índico inteiro.
minha língua saliva teu idioma: prolixo, complexo, ofegante, mas não tão desconhecido afinal.
teus dedos de temporal, nervosos, me inundam. "extra-vazo". derreto.
tua fome me fareja num canto do labirinto. me rasga. me rendo. (me rendo?)
teu abraço de sol do meio-dia e esse teu beijo de lua-cheia eu ainda não esqueci muito bem. mas pretendo muito em breve.
breve como esse nós,
entre nós.
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