domingo, 9 de junho de 2019

Meus poros reagem a teu nome antes da minha consciência. Correm rios. Caem cascatas. Inundam minas. Tudo vira água. Tudo vira origem de tudo. Todo o resto da história fica esquecido. Só tem esse mundo líquido, rico, essa sopa primordial, esse caldo quente jorrando e eu sentindo tudo. Toda essa vida em mim. E tudo muito antes que eu possa interromper, secar, diluir, desviar, afogar... A vida começa em mim mais uma vez. Pantalassa.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Que lindas as agendas antigas que já não servem mais pra nada
Tão úteis na sua inutilidade
Tão claras em sua mensagem:
Time is over.

A tristeza é tinta pra minha caneta.
Se eu fosse mais triste escreveria mais
Ainda bem que
Acabou.
Doeu?
Não, sou forte.
Ah se não fosse essa vírgula
pra respirar minha ilusão
Tem ontens
que amanhã nunca chegam
Tens hojes
que amanhã nunca acabam

poeta de ocasião
poeta mínimo
nem po
só eta

Amor, fique esperto
Nem é tanto espanto
A morte é certa
A vida curta
Não mais indireita
Quem mais escuta
Se muito reluta
É duas vezes luta
Se muito relata
É duas vezes lata
Tanta palavra
Palavra tanta
Qu'inda nos mata.

Para Flora com amor

Escrevo teu nome no ar e só depois eu respiro