quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020


esse cursor do computador bate cardíaco me insinuando a dizer
mas o que tenho pra escrever tem muito mais a ver com folha em branco
do que em preto.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020


é tanto que tenho aqui
dentro
que sinto espanto
em comportar esse tanto
portanto, eu me adianto
e transporto tudo tão pra dentro
que às vezes tento achar
e nem eu mesma encontro.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Antes hoje do que hontem
Antes agora que agoura
Antes vazado que vazio
Antes vertigem que virtuose
Antes sem juízo que ser juiz
Antes (acordar) tarde todo dia
Antes solidão que solidez
Antes liquefazer que liquidar
Antes Lúcifer que lucidez

Antes arrebatador do que nunca.
                                               
                                                 Jô.S.B.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019


desconfio dos mansos.
Às vezes guardam lobos piores que os lobos aparentes
procuro por desaparências
por loucos
por vozes roucas.
Águas paradas também afogam.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Máquina de lavrar

Eu sou completa por lacunas
Contusões existenciais
Sonetos quebrados
Sorrisos bêbados
Luas caídas
Nariz pingado.
Meu terreno é todo esbarrancado
Meus olhos cultivam peixes
Minha carteira esconde feijões.
Tenho fome de zodíacos
Não guardo nada além de um pouco de oxigênio.
Sou ingênua por preguiça
Sorrio por timidez
Apaixono-me três cápsulas ao dia
Não tenho nada que interesse ou sirva a ninguém em perfeito estado.
Crio violetas em aquários 
Mantenho as paredes azuis aguadas
E espelhos embaçados.
Esqueço uma cabeça perdida na bolsa
E um pedaço de coração no bolso da calça que bateu na máquina de lavar.
Lembrar de desmarcar cardio. Bateu. Acho.
Tenho inclinação por cavar buracos.
Tatuei uma linha infinita nos poros.
Sou uma fresta que não tem hora pra acabar mas uma hora...
Será que lágrimas podem afogar alguém de Peixes? 


Sou o produto do nada vezes coisa alguma dividido pelo infinito.



segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

a cura

a arte me salva
a arte me selva
a arte me céu
me sul
me norte
me dentro
a arte me imprime
a arte me explica
a arte me tem
a arte me é
me cura
me loucura
a arte me vaza
a arte me assopra
me sangra
me singra
me expõe
me transpõe
a arte me fere
me sal-va?
a arte me saliva
me solve
me sorve
me absolve?
a arte me absurda.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Elas estão aqui perto
- me diz Helena.
Mas eu sou tão descrente
Não sinto mais a presença dela
A dor deu lugar à saudade que deu lugar
ao vazio
Agora é só comigo
– é o que sinto.
Mas Helena diz que sente sua Claudete por perto
e quando termina seu solo
faz o oceano invadir
o meu peito inteiro...
Ontem lembrei da minha Mercedes
pela dor de Helena
Ontem lembrei de um abraço
que não encontro mais em mais ninguém
ontem lembrei que a vida
não vale vintém
mas vale tanto, tanto
a pena.

Para Flora com amor

Escrevo teu nome no ar e só depois eu respiro