quinta-feira, 5 de março de 2020

Sobre saber das coisas
eu me encho de vazios
A vida me dá tantas voltas
Voltagens me deixam volátil
Queria eu ser bivolt
Valha-me, preto velho!
Uma vida revestida
de vezes, reveses, vieses
vasos de porcelana
vazamentos
viscosidades
vastidões e vazios
verossimilhanças inverossímeis
vagões vagantes
vulgaridades extravagantes
Uma vida vislumbrada em vãos
de vozes infinitas que nem sei mais reconhecer por onde foi que vieram.
Absorvidas as culpas
Sorvida por completo a vida
Encharcada de nascente
e devolvida em securas murchas
Até ser confinada pelo tempo
em seus fins fingidos de começos
e suas violetas velhas demais
pra recordar.



quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020


esse cursor do computador bate cardíaco me insinuando a dizer
mas o que tenho pra escrever tem muito mais a ver com folha em branco
do que em preto.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020


é tanto que tenho aqui
dentro
que sinto espanto
em comportar esse tanto
portanto, eu me adianto
e transporto tudo tão pra dentro
que às vezes tento achar
e nem eu mesma encontro.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Antes hoje do que hontem
Antes agora que agoura
Antes vazado que vazio
Antes vertigem que virtuose
Antes sem juízo que ser juiz
Antes (acordar) tarde todo dia
Antes solidão que solidez
Antes liquefazer que liquidar
Antes Lúcifer que lucidez

Antes arrebatador do que nunca.
                                               
                                                 Jô.S.B.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019


desconfio dos mansos.
Às vezes guardam lobos piores que os lobos aparentes
procuro por desaparências
por loucos
por vozes roucas.
Águas paradas também afogam.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Máquina de lavrar

Eu sou completa por lacunas
Contusões existenciais
Sonetos quebrados
Sorrisos bêbados
Luas caídas
Nariz pingado.
Meu terreno é todo esbarrancado
Meus olhos cultivam peixes
Minha carteira esconde feijões.
Tenho fome de zodíacos
Não guardo nada além de um pouco de oxigênio.
Sou ingênua por preguiça
Sorrio por timidez
Apaixono-me três cápsulas ao dia
Não tenho nada que interesse ou sirva a ninguém em perfeito estado.
Crio violetas em aquários 
Mantenho as paredes azuis aguadas
E espelhos embaçados.
Esqueço uma cabeça perdida na bolsa
E um pedaço de coração no bolso da calça que bateu na máquina de lavar.
Lembrar de desmarcar cardio. Bateu. Acho.
Tenho inclinação por cavar buracos.
Tatuei uma linha infinita nos poros.
Sou uma fresta que não tem hora pra acabar mas uma hora...
Será que lágrimas podem afogar alguém de Peixes? 


Sou o produto do nada vezes coisa alguma dividido pelo infinito.



Para Flora com amor

Escrevo teu nome no ar e só depois eu respiro