Você quer me ter?
Mete nha.
Como não querer comer
Como
Esse t é são
Me vaza as sedes antigas
Como não querer engolir
Como
Ainda novinha sentia os pisca-piscas
E não sabia que a sabiá phodia voar
Como não querer soltar
Como
E segurava as partes
Como se fossem d'ouro
Como estocar tanto
Se ouro só toco não como
Como?
Ressignificar a vida na b
eira do abismo
É isso a v
ida esse ab
ismo essa beira
esse ressigni
ficar enquanto o tempo deixa en
quanto a gente p
ode a gente queria fic
ar pra sempre
a g
ente odeia as desped
idas, os fin
ais
E é uma capac
idade narr
ativa tão imensa essa nossa de vi
ver sabendo que tem um final
mente
uma vor
acida
de de fabula
ção,
de invenção do cotidi
ano após ano
a gente cria prob
lemas pra pre
ocupar a vida, a gente c
ria o sentido, a f
alta dele, a gente re
cria nossa existência
pra poder exist
ir.
E a gente é tão bom n
isso
de aumentar nossas import
âncias e sent
idos e sabores e saberes e viveres
Mas a gente sabe a ver
dade, ah se sabe
Mas como
ela
d
ó
i.
Hoje lembrei de uma única flor que nasceu em uma árvore e que não chegou a virar fruto, mas deixou o universo mais bonito em sua pequena existência. Daí lembrei daquela pintura de Klint que me faz pensar no quanto um único instante pode emoldurar nossa vida de beleza onírica.
Eu sigo na vida com minhas flores e frutos de cá do muro com um milhão de medos e outro milhão de coragens e boas lembranças que vez em quando, sortuda, revisito.
Você ainda existe ou estou te inventando?
Escrevo teu nome no ar e só depois eu respiro