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Por que teatro, a diretora perguntou
Eu respondi algo que não sei se lembro, mas agora, pensando bem, responderia que eu teatro pra morrer um pouco menos por dia, morrer mais lento
Eu teatro pela lou cura de uma vida menos ordinária
Eu teatro porque gosto de ser saboreada por olhos e ouvidos
Eu teatro pra fazer a vida mais vasta
Pra dividir essa intensidade toda que carrego e que me pesa
Pra transgredir o que eu mesma achei que não podia, pra me testar, pra me dizer: eu não falei
Eu teatro pra fazer sentido e não fazer nenhum
Pra obedecer ao corpo que (é) chama
Pra meu corpo habitar outras formas de vida
Pra sentir aquela dor da agonia antes da goza.
Mas amanhã vou responder outra coisa.
Como não querer comer
Como
Esse t é são
Me vaza as sedes antigas
Como não querer engolir
Como
Ainda novinha sentia os pisca-piscas
E não sabia que a sabiá phodia voar
Como não querer soltar
Como
E segurava as partes
Como se fossem d'ouro
Como estocar tanto
Se ouro só toco não como
Como?
Ressignificar a vida na b
eira do abismo
É isso a v
ida esse ab
ismo essa beira
esse ressigni
ficar enquanto o tempo deixa en
quanto a gente p
ode a gente queria fic
ar pra sempre
a g
ente odeia as desped
idas, os fin
ais
E é uma capac
idade narr
ativa tão imensa essa nossa de vi
ver sabendo que tem um final
mente
uma vor
acida
de de fabula
ção,
de invenção do cotidi
ano após ano
a gente cria prob
lemas pra pre
ocupar a vida, a gente c
ria o sentido, a f
alta dele, a gente re
cria nossa existência
pra poder exist
ir.
E a gente é tão bom n
isso
de aumentar nossas import
âncias e sent
idos e sabores e saberes e viveres
Mas a gente sabe a ver
dade, ah se sabe
Mas como
ela
d
ó
i.
Escrevo teu nome no ar e só depois eu respiro