Ah...Perséfone
Fugida do inverno
Fugida do inferno
Esperando por Céres
Esperando pelo tempo
do colo materno
Não quer mais ver céu de terra e raiz
Quer olhos sensíveis de luz
e de cor
Quer seis meses de ar
Quer cheiro de mato molhado
Enquanto espera
Chora tanto que talvez algum dia nasça planta no mundo
subterrâneo
Espera enquanto
Chora tanto que me condoo
Pressentindo que sou tão Perséfone quanto Perséfone
hoje
esperando por amanhã
e amanhã
à espera de um ontem intangível
Pressentindo que estranha sina é essa
de ser gloriosa e miserável
de ser infinita e temporal
de ser tudo e nada
Centelha divina e ribanceira
Estranha sina minha
e de uma humanidade inteira
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