quarta-feira, 12 de agosto de 2020

 Ah...Perséfone

Fugida do inverno

Fugida do inferno

Esperando por Céres

Esperando pelo tempo

do colo materno

Não quer mais ver céu de terra e raiz

Quer olhos sensíveis de luz

e de cor

Quer seis meses de ar

Quer cheiro de mato molhado

Enquanto espera

Chora tanto que talvez algum dia nasça planta no mundo subterrâneo

Espera enquanto

Chora tanto que me condoo

Pressentindo que sou tão Perséfone quanto Perséfone

hoje

esperando por amanhã

e amanhã

à espera de um ontem intangível

Pressentindo que estranha sina é essa

de ser gloriosa e miserável

de ser infinita e temporal

de ser tudo e nada

Centelha divina e ribanceira

Estranha sina minha

e de uma humanidade inteira

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