terça-feira, 18 de agosto de 2020

Estou aqui. Estamos. Sentindo. Inundando. Secando. Queimando. Lá fora sempre os trinados treinados para a arte de amar. Um pedreiro martela. Lembro daquela frase: se tens um martelo na cabeça, todos os problemas são pregos. Vejo tanto isso ao meu redor... Me pego pensando se já não me tornei a pessoa que jamais queria ser. Me pego desejando apagar essa última frase afinal não, o ego não dá conta de reconhecer. Que ego dá? 

Há quem se sinta suficientemente pronto, analisado, criado. Todos nós não enxergamos o que os outros enxergam. Todos nós nos tornamos um pouco daquilo de que fugimos. Uma música caipira toca ao longe. Mal consigo ouvir mas sei que é caipira pois os violões da família me ensinaram cedo. Carros. Carros. Olho o chão sujo limpado há quatro dias. Lembro de todas as mães do mundo reclamando da repetição doméstica. Estou parada aqui por esse instante pois no próximo voltarei a me esquecer para poder seguir. Pois no próximo voltarei a viver para poder morrer. Pois no próximo serei de novo aquele papel fino de convite de casamento que após ser admirado vai cerimoniosamente pra gaveta. 

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Para Flora com amor

Escrevo teu nome no ar e só depois eu respiro