Lendo as paredes me desloco pela casa, é madrugada, e penso essa é minha casa, mas ontem mesmo eu morava em outras texturas, outras cores, mas ontem mesmo minha janela era de abrir do meio pras extremidades não da esquerda pra direita, ontem mesmo a mãe no sofá vendo novela, ontem a tia no quintal, o tio cantarolando Roberto, a vó com seu passo lento chegava na minha casa. Até que seu passo cessou. As vozes dos tios calaram. As paredes outras. As águas maternas desaguaram na imensidão. E somente o cheiro dos seus cabelos e do creme facial permaneceram nas minhas narinas, e alguns fios de cabelos avermelhados presos na sua escova a pentear os meus vazios e silêncios e insônias e sorrisos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário