Estou aqui. Estamos. Sentindo. Inundando. Secando. Queimando. Lá fora sempre os trinados treinados para a arte de amar. Um pedreiro martela. Lembro daquela frase: se tens um martelo na cabeça, todos os problemas são pregos. Vejo tanto isso ao meu redor... Me pego pensando se já não me tornei a pessoa que jamais queria ser. Me pego desejando apagar essa última frase afinal não, o ego não dá conta de reconhecer. Que ego dá?
terça-feira, 18 de agosto de 2020
Como alguém consegue ler Clarice em uma única vida? Eu paro por semanas nas mesmas páginas pra sentir o sabor delas em todas as partes da língua. Cada vez as palavras dançam pra mim e trocam de lugares. Eu leio Clarice como se lê Bíblia, abro os livros em uma página sorteada e lá eu paro procurando um algo que fale pra mim uma coisa que preciso ou que não preciso ouvir. E tudo me captura. Tanto que não consigo ler nada dela até acabar. Como ler o infinito até o fim?
Às vezes a gente precisaria marcar horário pra chorar
Lembro de uma amiga que falava que às vezes chorava de manhã por ter que sair da cama
Uma jeito de se preparar pra essa vida louca
O que pode acontecer em um dia?
Eu estava saindo pra ir à casa dela quando soube que ela morreu
Eu ia vê-la, abraçá-la... e ela já não estava mais lá pra sentir esse abraço e esse olhar
Talvez até estivesse
Mas objetivamente não
A vida é o que acontece enquanto pensamos na vida
A vida é o que acontece enquanto vivemos
Depois... sobra mistério!
Queria tanto te ver hoje
Na tua casa.
quarta-feira, 12 de agosto de 2020
Ah...Perséfone
Fugida do inverno
Fugida do inferno
Esperando por Céres
Esperando pelo tempo
do colo materno
Não quer mais ver céu de terra e raiz
Quer olhos sensíveis de luz
e de cor
Quer seis meses de ar
Quer cheiro de mato molhado
Enquanto espera
Chora tanto que talvez algum dia nasça planta no mundo
subterrâneo
Espera enquanto
Chora tanto que me condoo
Pressentindo que sou tão Perséfone quanto Perséfone
hoje
esperando por amanhã
e amanhã
à espera de um ontem intangível
Pressentindo que estranha sina é essa
de ser gloriosa e miserável
de ser infinita e temporal
de ser tudo e nada
Centelha divina e ribanceira
Estranha sina minha
e de uma humanidade inteira
Para Flora com amor
Escrevo teu nome no ar e só depois eu respiro
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Antes o feito que o perfeito Antes o descalço que a desculpa Antes Rita Lee que Rita Lobo Antes o éter que a eternidade Antes sorver-te que ...
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A morte existe porque dias de sol também cansam
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Ela virou um alfinete fincado no mapa-múndi dele.